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Mukanda da
Minha Banda Luís
D´Angola Junior O Calvário da Obra na Tuga - II Os dias foram sumindo lentamente esvaziando mais um ano da triste década de 90. Kota Minguito, após dois anos de tuga , ainda não estava acostumado com o inverno friolento da Europa, o trabalho duro da bumbas, e a vida monótona de Lisboa, por isso, ele aproveita para bulir mais no verão e na primavera, onde chegava a dar puxada até as 11 horas da noite, porque na obra ganha-se pôr hora, quanto mais hora trabalhares mais papel no bolso, também o seu mestre era um cabo verdiano o nhô catanhô, que tinha fama de dar do ar o cumbu dos ajudantes no fim do mês, quem fosse reclamar em sua casa ele saia até a porta com uma faca peixeira mão. Felizmente o inhosso nunca cometeu tal furto com o Kota Minguito que tratou de avisar a todo mundo do salo que tinha experiência militar " fui comando, cuidado hein " e anda transtornado das idéias porque viu muitos mortos na guerra de Angola e não custava enviar mais um filho da P... pra cova. O pessoal das bumbas tinha medo do Kota Minguito, que as vezes cochilava na obra e ninguém poderia ir queixar no pula chefe. Ele ganhava por hora 750 escudos e essa massa satisfazia algumas necessidades básicas do Kota, dava pra viver uma vida tranqüila e ainda sobrava alguns trocados para realizar alguns dos seus sonhos: vestir e calçar coisas de marcas , saborear dia sim dia não os bons vinhos portugueses e aquela boa sagres gelada. Contudo, nem tudo era felicidade , quando pousava a cabeça na almofada só pensava na família e principalmente na esposa que deixou em Angola com a promessa de busca-la quando as condições permitissem, mas não era so isso o motivo de longos sonhos e pungos pensando na sua amada na banda, é que ao longo destes dois anos de tuga não conseguiu pegar nenhuma mboa, a razão da dificuldade : muitas delas são armadinhas, outras só pegam os filhos dos nguvulos inclusive se sujeitam ser amantes, sendo o principal motivo a escassez de mulheres muangolês nas terras de Camões. Alguns avilos do Kota, já tentaram lhe arrastar até lá no centro, no Intendente, na casa das P..., ele negou porque era fiel a sua esposa pois a conheceu ainda com os três. Chegou o sábado à tarde , e os muadies das bumbas costumam dispensar as roupas poeirentas esfarradas e aquelas botas dos 7 dias da obra trocando-as pôr fatos de 4,5,6,10 botões e sapatos de marca ( Migueis Viera e Fernandos não sei das quantas) e pegavam o comboio, metrô ou camioneta via Rossio, o point do pessoal no centro de Lisboa. Alguns parentes iam em direção a praça de Espanha na viagem tiveram problemas no comboio porque não conseguiram burlar o pica e depois de bwé de confusão foram multados, os que bazavam de carro ouviam o frique frique " não vacila " e lolita " em alto e bom som nos popôs comprados em segunda mão. Nesses locais onde Kota Minguito já conhecia muito bem, o pessoal ia tomar umas bitolas geladas, comer bifanas, falar sobre a banda, fofocar sobre as miúdas que na banda estão cada vez mais boas, e também mostrar os seus trajes , sapatos de marca, e os fios de ouro , parecia competição. Outros aproveitavam para rever os kambas e combinar qual será a discoteca de mais logo, qual a disco que tá dar? Se perguntavam. Do outro lado da rua uma moça comentava com a outra, que muitos desses moços são sujos, são desgraçados só bumbam para comprar bebida, para vestir e por sapatos de marca, as casas deles estão nuas nem um sofá em condições tem, nem já televisor compraram, estão todos magros, porque o dinheiro que ganham é só discoteca e nguenda, inclusive alguns nem casa para morar têm e vivem de discoteca, fazem discoteca - obra, obra - discoteca Fofoqueiras! Voltemos ao Kota Minguito. Neste sábado também estava no Rossio e mais tarde foi a discoteca com o seus avilos: Padock , Zeca Grosso , o Mana Mena e um cara fininho, altinho mais bebe, bebe e não cai, lhe chamavam de Ndengue Bwa - puto chacheiro, mas boa pinta. Minguito estava bem trajado e se deu banho de perfume CK, levou o seu cachimbo e para completar a pausa estava com a bengala de marfim na mão esquerda. A disco estava lotada, filhinhos e filhinhas de algumas elites angolanas, misturadas com pessoal da London, de Madrid e claro os nossos dignos camaradas da obra. Luz , cor, briga por ciúmes e namorado batendo a namorada nesses lugares é praxe. Kota Minguito marou uma mboa fixamente, por instantes pensou que fosse a sua amada de Luanda, pois tinha as mesma curvas , os seios durinhos, coxas, e a bunda avantajada. Aproximou - se um pouco para galar bem a mboa, mas apenas era semelhança, para não perder a viagem mandou o Ndengue Bwa chamar a Moça. A moça mandou falar ao Kota Minguito que a distancia é a mesma, e quem esta doente procura o médico. Perante a indelicadeza da moça, Minguito aproximar e lançou a paquera corriqueira que trouxe da banda - boa noite, tudo bem, olha estou a te fazer idéia de algum lugar - a moça armadinha respondeu com o sotaque forçadamente aportuguesado - Eu não estou a ma lembrar de ter-te conhecido em algum lugar do mundo. Tu es angolana pois não? - o Kota afinou também para se familiarizar. Mas a moça deu-lhe um tampa de novo - Não eu sou portuguesa, meus pais é que são angolanos. O Kota Minguito percebeu que de portuguesa a moça não tinha nada, somente o sotaque forçado afinando a voz, os trajes da mboa eram aqueles comprados na feira do Algueirão, só porque estava ao lado de uma amiga nguvula resolveu dar uma de portuguesa. Por isso o experiente Kota lembrando os seus namoricos nos becos da banda lhe fez o teste dos nove para comprovar o seu nível cultural - desculpe pela indiscrição qual a sua graça? - A moça fingiu que não ouviu - o que é? e o Kota repetiu - qual a sua graça? ....... |