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Opinião

Da Redação da Muangolê Notícias
Fonte:Jornal de Angola
27 de Novembro de 2000


Venda de fármacos nos mercados

A venda de produtos farmacêuticos nos mercados paralelos é um prática registada em praticamente todas as cidades do país. A questão preocupa muitos cidadãos. Algumas pessoas preferem recorrer ao mercado paralelo para compra de medicamentos, que, muitas vezes, são comercializados em estado deteriorado. O Jornal de Angola inquiriu alguns cidadãos a propósito do assunto. Concorda ou não com a venda de fármacos no mercado informal?

Rita Francisco, escriturária dactilógrafa.
Não estou de acordo com esta actividade. Muitas vezes os medicamentos comercializados nesses lugares apresentam-se deteriorados, o que faz muito mal ao doente. Eu posso comprar nas praças, mas só em caso de muita preocupação, pois é um risco comprar medicamentos nestes locais, visto que muitos vendedores os arranjam depois de expirada a data de fabrico.

Bernardo Francisco, relações públicas
Eu sempre fui contra as actividades informais. É claro que não vale a pena culpar ninguém. Mas o que é facto é que a sociedade tem de lutar no sentido de acabar com este tipo de actividades. Eu só compraria medicamentos nesses mercados em caso de última necessidade, ainda assim, desconfiaria de alguma coisa. Por isso, acho que as autoridades de direito deviam estagnar esta situação.

Conceição Caldeira, coupeira
Sou contra essas vendas. Porque os medicamentos quando são comercializados nesses lugares ficam submetidos ao sol e lixo. Para mim, os únicos autorizados a vender fármacos deviam ser pessoas formadas no campo medicinal. Acho que as autoridades deviam proibir essas vendas ambulantes, porque são esses que têm provocado muitos constrangimentos aos pacientes que, na maior parte dos casos, já se encontram com sérios problemas.

Laura Silva, doméstica
Eu sou contra essas actividades, porque estão mal enquadradas. Os medicamentos quando são expostos ao sol perdem o seu efeito. Acho que o Governo devia proibir estas vendas. Embora se verifique um baixo preço na comercialização dos mesmos nos mercados paralelos, a sua venda nesses locais não deixa de ser uma ameaça à sociedade.

Aníbal Monteiro, técnico de petróleos
Sou contra a comercialização de medicamentos nos paralelos, porque deviam ser vendidos nas farmácias e não em qualquer local público. Acho que isso surge em consequência do desemprego. É um problema social que o Governo deveria resolver o mais rápido possível, porque isto não se verifica em mais nenhuma parte do mundo. Só em Angola.

Jean Michel, engenheiro de petróleos
É claro que sou contra. Primeiro, é que estes medicamentos não nos dão nenhuma garantia de protecção ou qualidade e, segundo, porque não há segurança quanto à sua validade. Noutras partes, quando se adquire medicamentos em farmácias, o comerciante tem que ter um diploma de autorização de vendas. Aqui, acho que uma das formas para estancar esta situação é o Governo banir a venda nesses mercados.

Mateus Chaves, vendedor ambulante
Não tenho nada a contrariar quanto à venda de fármacos em mercados paralelos. Como todos sabem, os preços no paralelo são acessíveis a todos, algo que não se verifica nas farmácias. O único problema dos paralelos é que, às vezes, aparecem pessoas que vendem medicamentos expirados. De resto, não há constrangimentos. O Ministério da Saúde devia criar condições nas nossas farmácias.

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