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Projeto Resgate

Dr. Carlos Serrano*

Compilação da palestra proferida pelo Pro.Carlos Serrano no seminário "Angola 24 anos depois, o sonho de uma nação continua..." realizado pela AEA - SP. Associação dos Estudantes Angolanos no Estado de São Paulo.

Angola nasce uma nação, sua origem e identidade ( Parte - II )

A importáncia dos centros urbanos em Angola

Ao mesmo tempo tem que se pensar que realmente os primeiros centros urbanos especificamente Luanda, primeiro "São Paulo de Assunção Loanda" e depois Luanda é aqui que se concentra o primeiro lugar de ocupação que não é efetiva, de ocupação do núcleo colonial que é disputado por esta historia que nós conhecemos que são os primeiros heróis da resistência N`zinga Mbandi, Ngola Kiluanje e para falar do Congo também a Dona Beatriz, enfim vários momentos da historia que é uma historia de resistência.

Alias quando se fala sempre da guerras atuais que realmente Angola vive a 400 anos de guerra esta é uma etapa mais recente e a mais terrível das guerras angolanas mas elas fazem parte já de uma historia muito mais antiga, esta é a mais dramática sem duvida. Mas há vários momentos de historia e de resistências de todas estas formações sociais a última, aquela que vai começar como uma tomada de consciência de se pensar em ser angolano, já ultrapassando esta dimensão de uma historia local é talvez este centro urbano na medida que ele é o lugar de imigração de vários grupos e de contato direto com o colonizador é na capital.

Depois se o contato com a colonização mesmo antes da ocupação já tiveram feito através do trafico de escravos, quem se beneficiou em partes deste trafico? Em parte algumas chefias africanas, sobretudo as do litoral, a transformação que isto traduziu em um reverso de um poder tradicional na época das pessoas que estavam no litoral com relação ao poderes que normalmente se situavam no interior, isto desde a Costa do Marfim, passando pelo Benin ate Angola era mais ou menos uma forma de reprodução do poder tradicional bem especifico, bem africano, o que interessava eram as rotas, estas grandes viagens dos exploradores no século XIX não faziam mais que reproduzir as rotas que eram africanas e que antes do trafico de escravos eram rotas comerciais, já existiam então aos chefes cabia exatamente ficar no interior para controlar o comercio pelo interior e o litoral era importante, mas não tão importante quanto este momento que é realmente o inicio deste trafico, por isso é que dissemos que subverte estas chefias porque na medida em que se deu poder aos homens da costa diminui-se o poder das homens do interior.

E as capitais como Mbanza Congo, Mbanza Ngoio e por ai adiante, mas já no Benin também, era sempre no interior muito vezes ate com quizila depois da entronização o rei não poderia vir para costa isso é uma constante, isto reforça o poder do litoral e vamos pensar em Luanda e a resistência da Rainha N´zinga no século XVII é exatamente a tentativa de vetar o poder a possibilidade dos portugueses entrar pelo rio Kwanza para traficar ou para fazer prisioneiros, cativos no interior, os portugueses ficaram na Ilha , em Luanda , mas ir para o interior foi o grande empecilho, onde ai os Jagas, etc. ajudaram a Rainha N´zinga primeiro, depois também os portugueses a impedir esta penetração ao interior.

A colonização vai ate ate ao final do século XIX no litoral, a ocupação de 400 anos espera ai... não é assim tão evidente, mas é em Luanda realmente esta capital devido ao trafico que começa a representar um momento de contato e um momento de criação de uma elite para não falar de uma classe que o Mário Pinto de Andrade muito bem carateriza porque dizia " eu sou descendente de negros calçados" , que eram os primeiros comerciantes negros africanos que faziam para o Ngolungo Alto o comercio de longa distancia , a família Andrade que era do Ngolungo Alto mas que vem para Luanda e apartir dai começa a ver esta elite e de certa maneira capitaliza recursos que não só econômico, mas também um capital cultural, são as primeiras pessoas, estas primeiras elites que são alfabetizadas, umas vezes através das missões católicas, uma vez que as missões protestantes não existiam estamos a falar do século XVIII, estas famílias vamos encontrar na historia de Angola sobretudo aquela que se refere este espaço todos estes nomes que nos conhecemos que são estas família que o Mário Pinto de Andrade carateriza como o primeiro nativismo angolano e aqui aparece realmente aparece esta burguesia, esta elite que surge em função do trafico, do comercio que não é só trafico de escravo e o Brasil aparece como o principal grande beneficiário de comercio.

 

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*CARLOS M. H. SERRANO, Nascido em Cabinda - Angola, é Professor de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. É vice-diretor do Centro de Estudos Africanos da USP, Autor dos livros "Os Senhores da Terra e os Homens do Mar"; "A Revolta dos Colonizados" (paradidático, com o prof. Kabengele Munanga); "Brava Gente do Timor" (com o prof. Maurício Waldman); e "Angola: Nasce Uma Nação"...

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