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Projeto
Resgate Dr. Carlos Serrano* Compilação
da palestra proferida pelo
Pro.Carlos Serrano no seminário "Angola 24 anos
depois, o sonho de uma nação continua..." realizado pela AEA - SP.
Associação dos Estudantes Angolanos no Estado de São Paulo. Angola nasce uma nação, sua origem e identidade ( Parte - I ) Que nação, como se forma esta nação ? Há muito tempo atrás escrevi uma tese de doutorado sobre este tema, é uma forma de recuperar esta memória é uma forma de lutar contra a amnésia que ultimamente se faz sentir em Angola, as pessoas gostam de viver do tempo, no instantâneo, do tempo de hoje, do presente e os historiadores começam a promulgar o fim da historia. Temos que recuperar e temos que dar lugar a esta historia que o povo esta construir. A construção da identidade nacional não para com a independência, é uma coisa que vai prosseguir durante muitos anos, estar neste fulcro que Brasil Davidson chamaria " o coração da tempestade " é um orgulho de nós podermos estar a participar da história como autores e de remeter para aqueles que vem o nosso testemunho, só que isso custa, tem um preço, ao mesmo tempo ser cientifico tentar analisar de fora de se afastar desta inutilidade de sentir esta emoção que não é fácil. Como se forma esta nação dentro das fronteiras nacionais impostas pela conferência de Berlim de 1885, que vai reunir dentro de um espaço dado que não são as fronteiras que tem agora uma outra noção, que não são as fronteiras nacionais africanas, a formação de um estado orgânico colonial imposto pelas potências colonizadoras e pela partilha de África em 1885 ou seja um corte de várias nações no sentido de formações sociais antigas africanas, agora reunidas dentro de fronteiras e um corte que divide varias destas nações , por exemplo que conhecemos de Angola, no norte a divisão do Reino do Congo, em baixo o grande reino Ovambo e outros lugares para que se pudesse delinear estas fronteiras. Interessante e importante é nunca se esquecer que todas estas formações tem história e a história não nasce exatamente no momento que se cria a fronteira de Angola, mas não se pode esquecer é que todas estas formações sociais antigas fazem parte da historia de Angola por terem uma historia também especifica, própria. Mas o denominador comum realmente é o momento da colonização, que também a ocupação colonial, apesar de se falar dos 400 anos da presença dos portugueses, dos holandeses e outras nações não é simultânea e que a memória histórica de cada uma destas regiões, deste povo e destas formações sociais antigas tiveram tempo e espaços diferentes neste decorrer destes 400 anos, quer dizer se a ocupação efetiva no Congo foi no século XV, com os Kwanhamas ocorreu já neste século, então; esta forma de tomada de consciência em relação ao colonialismo é diferente obedecendo a esta diversidade etno-politica de espaço agora dentro das fronteiras coloniais impostas dentro do tratado de Berlim. Parte - I | Parte - II | Parte - III | Parte - IV | Conclusão *CARLOS M. H. SERRANO, Nascido em Cabinda - Angola, é Professor de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. É vice-diretor do Centro de Estudos Africanos da USP, Autor dos livros "Os Senhores da Terra e os Homens do Mar"; "A Revolta dos Colonizados" (paradidático, com o prof. Kabengele Munanga); "Brava Gente do Timor" (com o prof. Maurício Waldman); e "Angola: Nasce Uma Nação"... |