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Sociedade Colunista da Muangolê Notícias
O ABORTO: A Privação do Nascimento da Vida Quando pediram-me para escrever sobre esse tema várias idéias surgiram, mas quando chegou a hora de escrever, vi que era complicado escrever sobre um tema tão polêmico como este, mas vou tentar dentro das minhas possibilidades dar o melhor de mim, visto que é a primeira vez que escrevo para uma revista. A cada dia que passa as pessoas vão descobrindo a sua sexualidade mais cedo, mas junto com isso vem a falta de informação, pois os pais têm vergonha de falar sobre esse assunto com os seus filhos e as escolas também não tratam deste assunto e os adolescentes vão recolhendo informações dispersas de seus amigos, que muitas vezes são mais desinformados que eles e como consequência atualmente têm surgido muitas adolescentes grávidas. As escolas deviam ter uma aula sobre sexualidade e os pais deveriam deixar os seus tabus de lado e conversar mais com os seus filhos sobre sexo, descobrimento do corpo, pois é inconcebível que em pleno ano 2000, muitas mulheres só venham a saber sobre menstruação no dia em que começam a menstruar, e já existem casos de meninas que começam a Ter relações sexuais antes da menstruação e nem chegam a ter a primeira menstruação, porque antes dar sinais exteriores a menina já está grávida. Com conversa e ensinamentos sobre como se prevenir seriam evitados muitos casos de gravidez precoce. O descobrimento precoce da sexualidade aliado a falta de informação tem acarretado consequências graves, pois a cada dia que passa cresce o número de adolescentes grávidas ( entre 12 e 15 anos) e com isso entrasse numa grande questão: o que será melhor, deixar uma criança gerar outra criança ou abortar? A palavra aborto vem do latim e significa privação do nascimento, ou seja é a interrupção da gestação, com expulsão ou não do feto, do que resulta a sua morte. Será ovular, se ocorrer no primeiro mês de gestação; embrionário, se ocorrer no fim do primeiro mês até o fim do terceiro mês, e fetal se se verificar do quarto mês em diante. O Código penal do Brasil no qual me basearei para falar sobre este tema, trata do aborto nos seus artigos 124 a 128, e o qualifica como crime e se configura em qualquer fase da gestação, excetuando os casos de gravidez resultante de estupro ou quando houver risco de vida para gestante. O aborto pode ser:
A legislação brasileira não admite o aborto:
Como se pode perceber na legislação brasileira, só é admitido o aborto para preservar a honra da mulher, mas aqui entenda-se honra no sentido de não obrigar uma mulher a Ter o filho de um homem que a possuiu a força, ou seja contra sua vontade, não devendo aqui ser incluídos os casos em que as filhas ficam grávidas e os pais com vergonha da sociedade exigem que elas façam o aborto, pois nesse caso é considerado crime, e outro caso em que é admitido o aborto é quando há risco de vida para mãe, mesmo que haja opção entre a vida de um dos dois, optasse sempre pela da mãe. Existem muitos casos de estupro de meninas, que depois ficam grávidas e a igreja interfere dizendo que é pecado elas tirarem o filho e que ele darão o apoio necessário, mas será correto uma menina de 10, 12,... anos Ter um filho e ainda por cima decorrente de algo tão traumático como estupro, e muitas das vezes a igreja promete apoio, mas depois do terceiro ou quarto mês de gravidez a igreja deixa de dar esse apoio, deixando tudo a cargo das crianças-mães e dos seus pais; mas não podemos negar que muitas vezes, apesar de ser raro a igreja continuar dando apoio as crianças mães. No filme o grito do silêncio, filmaram um aborto e consegue-se perceber que no início o feto tenta escapar dos instrumentos e que abre a boca, como se estivesse pedindo socorro, até que cansado desiste da luta e é vencido. Um médico pediu que esse filme fosse feito para que ele apresentasse as suas pacientes antes dela realizarem o aborto, muitas pacientes chegam a mudar de idéia, mas outras mesmo depois de verem o filme vão em frente. Entrevistei algumas pessoas para saber se são contra ou à favor do aborto: Fátima ( estudante de engenharia de minas): sou à favor do aborto incondicionalmente, pois acho que uma pessoa tem o direito de decidir o momento em que quer Ter um filho, isso não significa que as pessoas devam transar sem responsabilidade, mas às vezes, mesmo se precavendo a mulher engravida, e ela tem o direito de decidir se é a hora certa ou não. Rita ( sistemas de informação ): sou à favor condicionalmente, devendo ser autorizado no caso de estupro ( isto não significa que a mulher deva fazer aborto sou porque foi estuprada, é uma opção dela), nos outros casos não, porque a pessoa tinha a obrigação de se cuidar, e se não se cuidou é porque é irresponsável. Mesmo que seja desinformada ou tenha doze anos, não deve fazer o aborto. Durante a entrevista começou um debate entre a Fátima e a Rita: Rita: um aborto deixa marcas psicológicas maiores que o nascimento do filho. Fátima: então você acha que uma pessoa que não tenha condições deve Ter o filho e depois jogar num orfanato ou deixá-lo viver para sofrer, com a fome, falta de escola, etc.? Você sabe que muitas crianças fazem sexo como se fosse uma brincadeira e quando dão conta a menina está grávida, é correto deixar duas crianças terem um filho? Rita é irredutível e acha que se foram irresponsáveis devem assumir as consequências. Sónia ( estudante de direito): sou à favor; condicional, aos casos de estupro, deformações, perigo de vida para mãe. E só contra nos outros, porque não se deve dispor da vida do feto como as pessoas bem entenderem; e não podemos esquecer que existem vários métodos contraceptivos disponíveis que servem para evitar uma gravidez não desejada/planejada. No entanto, o estado e os serviços de saúde deverão Ter uma importante participação para que essa pratica não se torne comum; divulgando informações, fazendo esclarecimentos para que as pessoas tomem consciência da utilidade desses métodos que servirão não só para evitar uma gravidez indesejada como também para evitar doenças venéreas. Não sou à favor do aborto, mas sou a favor da sua legalização, pois só assim será possível reduzir o número de mulheres mortas durante a realização de um aborto, porque muitas mulheres grávidas, no desespero acabam procurando os famosos sapateiros, correndo risco de vida, não só pelas condições dos materiais utilizados, como também pelo facto de esses sapateiros não terem formação técnica, e só fazem isso apenas pela ganância de obtenção de lucro fácil, pouco se importando com as consequências. José ( estudante de eletricidade) é à favor incondicionalmente, mas não consegue justificar o porquê, enrolou e no final falou desde que a pessoa tenha justificativa, pode fazer... Sara ( estudante de medicina): sou à favor incondicional; uma pessoa ás vezes não planeja a gravidez, e isso muitas vezes leva ao aborto. A gravidez tem de ser programada/planificada; uma gravidez indesejada muda o rumo da vida de uma pessoa e pode estragar seus planos futuros. Como podemos ver o aborto não é apenas um problema da pessoa que o está fazendo ou da sua família; é um problema social e todos nós como cidadãos responsáveis e conscientes devemos contribuir para que casos de aborto não ocorram mais ou pelo menos reduzir esses números, não podemos esperar apenas que o estado ou que os órgãos de saúde falem sobre isso, podemos começar conscientizando os adolescentes dos nossos bairros e não apenas eles, mas também seus pais para que dêem mais abertura para que os filhos conversem com eles sobre a sua sexualidade. Esse tema é muito extenso, e em próxima oportunidade voltarei a tocar nesse assunto.
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